Cesariana: presença do pai no bloco de partos em Portugal, da lei à realidade! – a nossa mãe é enfermeira

Cesariana: presença do pai no bloco de partos em Portugal, da lei à realidade!

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Na semana passada, no instagram foi-me dito por alguém que penso ser profissional de saúde, e isto no seguimento de divergências de opinião acerca da presença de ambos os pais no acompanhamento dos seus filhos nos serviços de saúde, que eu já estou há demasiado tempo fora de Portugal, e que actualmente em Portugal o pai só não pode assistir ao nascimento de um filho por cesariana em caso de cesariana de urgência com anestesia geral.

De facto saiu uma lei nesse sentido em Abril de 2016, lei essa que dava aos hospitais 3 meses para fazerem as alterações necessárias para que isso pudesse ser possivel. No entanto, não tendo de todo esse feedback das mães com quem me vou cruzando nesta minha caminhada, decidi fazer a pergunta no grupo de facebook dá.me maminha. Das 802 mães que responderam, apenas 398 referiram que a presença do pai foi autorizada no bloco de partos, sendo que a 404 dos casais essa possibilidade foi negada.

Parece-me importante referir que destas 404, apenas 25 foram cesariana sob anestesia geral. Para os restantes casais foram apresentadas justificações diversas como “o hospital ainda não tem condições”, “O chefe do bloco não autoriza”, ou mesmo sem qualquer justificação. Mas a justificação dada com maior frequência é que é uma cesariana em urgência logo não é permitido.

Daquilo que pude ler nos comentários das mães em questão, parece-me que tudo o que não seja cesariana programada é considerado urgência, mesmo não sendo uma emergência. Isso não é exactamente a noção de “cesariana em urgência” que eu tenho.

Obviamente não sou dona da verdade, mas tendo trabalhado dois anos numa maternidade/sala de partos/bloco de partos, a noção de “cesariana em urgência” que adquiri é muito diferente e é uma situação relativamente rara, ou pelo menos, não é – felizmente – a norma, e acontece quando efectivamente mãe ou bebé estão em perigo iminente e nem sequer há tempo muitas vezes para anestesia local, sendo feita de imediato anestesia geral. E não se trata de dizer que “lá fora é que é bom”. Mas pelo menos “lá fora”, onde eu trabalhei, a tríade mãe-bebé-pai era respeitada em todo o processo! Acredito que todas as situações em que foi alegado o termo “urgência” eram situações que mereciam vigilância, cuidados e atenções redobradas, mas não acredito que em todas elas a presença do pai fosse prejudicial.

Longe de ser uma sondagem exaustiva ou sequer com critérios bem definidos – visto que apenas foi perguntado se a presença do pai no bloco de partos foi permitida e caso não tenha sido, qual a justificação apresentada – este artigo serve apenas para alertar que uma coisa é dizer que é a lei e outra é o cumprimento da mesma no terreno. E na realidade, só posso concluir que Portugal, embora tenha sem sombra de dúvida os melhores profissionais, tem ainda um longo caminho a percorrer na tão idealizada “humanização dos cuidados”…

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe, enfermeira!

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