Viver após o suicídio…

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Suicídio. A decisão de um, que afecta todos os outros para o resto da vida.

Cada elemento da familia vive e integra este drama como parte da sua história, à sua maneira, podendo ficar mais ou menos agarrado a ele.

E eu fiquei presa, demasiado presa demasiado tempo.

Foi, até hoje, a maior rasteira que a vida me pregou, e nestes termos, espero que seja a única.

Viver após um suicídio, por vezes é um caminho muito longo e muito doloroso. Nos primeiros anos apenas se sobrevive. Aprende-se a conviver com aquela perda abrupta e violenta, com aquela ausência, com aquela dor, com aquela culpa, com todos os “e se?”.

Por vezes, a dor, o desespero e a culpa são tão grandes, tão esmagadores, que pouco espaço sobra para outras coisas, para outras emoções, para outros sentimentos… para a vida!

E assim, fui andando durante vários anos, numa verdadeira montanha russa emocional, ora varrendo tudo para debaixo do tapete, ora deixando-me invadir de uma forma completamente desconcertante e descontrolada.

Isto culminou com uma espécie de depressão pós-parto aos 8 meses da Eva, levando-me a sentir que tinha falhado em tudo na minha vida: com filha, como mãe, como mulher.

18 meses de terapia semanal com o apoio incondicional e fundamental do meu marido e da minha familia directa, permitiram-me começar a minha reconstrução emocional.

Não é fácil lidar com a morte, mas o suicídio torna todo o processo de luto mais dificil ainda.

O Suicídio de alguém que se ama, traz consigo sentimentos destruidores como a culpa, a revolta, a frustração, a incapacidade em aceitar, em perdoar e sobretudo em perdoar-se.

É preciso aprender a (con)viver com a perda, a (con)viver com todas as perguntas para as quais nunca haverá resposta… deixar de se viver preso ao suicídio e aprender a viver com ele.

Assim vai a vida… aos olhos de uma mulher!

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