Sim, eu também fui vítima de violência obstétrica!

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Há muito tempo que quero escrever sobre isto, mas acredito que haja uma razão para para ainda não o ter feito…

Há uns dias vi no facebook este
post (https://sombrasdoparto.wordpress.com/foste-vitima-de-violencia-obstetrica/) sobre violência obstetrica e percebi que chegou então o momento de falar sobre o assunto…

Ninguém me bateu, porém, as marcas que me deixaram incomodaram-me durante muito tempo.

Cinco anos precisamente. Cinco anos até eu perceber que afinal é tão fácil fazer diferente. Que afinal não era eu quem estava mal. Que afinal, ser tratada com respeito é um direito de todas as mulheres.

Durante muito tempo, e apesar do desconforto e do meu sentimento negativo em relação ao parto do meu primeiro filho, eu achei que aquilo era o normal e que se calhar eu é que estava demasiado sensível. A culpa de me sentir mal era minha, portanto.

Levei anos a perceber que a forma como fui tratada nada tem de normal.

Quiseram impor-me epidural. Ralharam comigo por ter recusado. Sim, ralharam comigo como se eu fosse uma criança de 3 anos que está a bater o pé por não se querer vestir.

Não recusei a epidural baseada em fundamentalismos. Sabia que ela existia e que seria um excelente recurso caso sentisse necessidade. Mas não senti. Descobri que além de ter um nivel elevado de tolerância à dor, tenho também uma excelente capacidade de gestão da mesma. E recusei a epidural. E senti que me estavam a tratar como uma criança irresponsável ao fazê-lo.

Obrigaram-me a estar ligada ao CTG e deitada, quando o meu corpo implorava por movimento. E eu obedeci, pensando ser “normal”.

Fui obrigada a parir em posição ginecológica embora fosse a posição que menos conforto me trazia.

Gritaram comigo dizendo-me que estava a fazer tudo errado, quando eu sentia que estava a dar tudo o que sabia. Tentavam guiar-me mas no meio de gritos e sem uma ponta de empatia.

Fizeram-me uma episiotomia que ainda hoje questiono a sua real necessidade, pois em quatro partos foi o único em houve essa necessidade, dos outros três tive um períneo intacto.

Senti-me humilhada. Senti que quem deveria estar confortavel no meu parto era a equipa de saúde e não eu.

Epidural teria sido a escolha deles, não a minha.

A posição ginecológica foi mais confortavel para eles, não para mim.

A episiotomia foi mais fácil para eles, não para mim!

Hoje, dez anos e três partos depois, posso dizer que é tão mais fácil parir num ambiente de respeito.

Hoje, dez anos e três partos depois, posso afirmar que sofri de violência obstétrica.

A todas as mulheres deixo a sugestão de se informarem, de se rodearem de profissionais que possam dar um bom acompanhamento pré-natal, para que na hora H, saibam que tudo aquilo que possa ferir a vossa integridade física ou moral não é normal, é violência obstétrica.

Todas as mulheres, todos os casais, todos os bebés deveriam ter direito a um parto respeitado.

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!

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