Porque não devemos dar mel ou tisanas a bebés com menos de 1 ano?

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Escrevi este texto para o blog do meu site profissional, mas como sempre não poderia deixar de o partilhar aqui também!

O mel, chás e tisanas são completamente contra indicados antes dos 12 meses de idade, e aconselhados idealmente apenas após os 24 meses.

Na realidade, o mel – mesmo o industrializado – assim como as ervas de chás e tisanas, podem conter esporos de uma bactéria chamada Clostridium botulinum. Esta bactéria está na origem de uma doença gravissima e potencialmente fatal nas crianças desta faixa etária, o BOTULISMO.

“O Botulismo Infantil (BI) constitui uma síndrome neuroparalítica rara, potencialmente fatal, causada pela neurotoxina do Clostridium botulinum.” Pode ler-se num documento emitido pela Sociedade Portuguesa de Pediatria, em 2013.

Estes esporos estão presentes em flores, ervas e no solo, não são destruidos com as altas temperaturas, podendo assim encontrar-se o mel e em ervas de chás e tisanas, mesmo que sejam produtos tratados/industrializados.

Quando há ingestão destes produtos contaminados por parte de uma criança com menos de 12 meses, os esporos ao instalarem-se no intestino vão libertar as tóxinas responsáveis pela doença, e desencadear ao longo de uma a duas semanas, uma cadeia de sintomas progressivos e graves, que podem levar à morte.

O primeiro sintoma é a obstipação, ou seja a criança deixa de ter emissão de fezes, acompanhado por dificuldades na alimentação.  Depois começam a surgir os primeiros sintomas neurológicos: sonolência excessiva, hiporeactiva e hipotónica, e um choro débil. À medida que a doença avança, o envolvimento neurológico piora, podendo conduzir à morte do bebé.

O tratamento é essencialmente sintomático (suporte respiratório e nutricional) e a administração de uma imunoglobulina humana anti-toxina.

As complicações mais frequentes são as complicações respiratórias e a sépsis.

Porquê que isto acontece na criança com menos de 12 meses? Porque o seu sistema imunitário ainda ligeiramente imaturo associado ao intestino que ainda não tem capacidade para combater os esporos, não conseguem travar a evolução desta doença. No entanto, apesar do período de risco se situar essencialmente nos primeiros 12 meses de vida, aconselha-se idealmente esperar pelos 24 meses para a introdução deste tipo de alimentos.

No documento da SPP acima referido, são também associados riscos ao banho com infusões, pelo facto de que a criança pode esporádicamente engolir a água do banho contaminada com os esporos.

Deixo-vos aqui o documento da SPP  e aqui um outro da OMS também sobre o Botulismo.

Assim vai a vida… aos olhos de uma enfermeira pediatrica!

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