Maternidade: o que mudou do 1° para o 3° filho

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Hoje, 9 anos e 3 filhos depois, sinto-me diferente. Aliás, sei que estou diferente. Como pessoa, como mulher, mas principalmente como mãe.

A idade trouxe-me maturidade, trouxe-me outra percepção da vida e daquilo que realmente importa.
Com isto chegou também a necessidade de me questionar enquanto mãe, de analisar o meu caminho e de perceber em que direcção queria ir a partir dali.

Quando o Duarte nasceu, a coisa foi indo “naturalmente” e “culturalmente”. Nos primeiros 4 anos da sua vida uma palmada era a solução para a maioria dos problemas.
Hoje, vejo esses “problemas” com outros olhos, a maioria já nem encaro como “problema” mas como fases/etapas/passagens/acontecimentos normais da infância, que têm de ser tratados e de certa forma respeitados enquanto tal. Isto não quer dizer ser permissiva ou deixar fazer tudo!

As birras, por exemplo, por mais que nos deixem com os nervos em franja, são “um mal necessário” pois são a forma que a criança tem de aprender a reagir à frustração, e assim construir o seu “Eu”, aprendendo mais tarde a canalisar a frustração de outra forma. Mas concordo que não nada mais stressante do que um miúdo a gritar em décibeis mais altos que um concerto de rock. As birras talvez sejam dos pontos em que é mais dificil manter a calma.

Há 9 anos eu era uma mulher mais stressada, ao final do dia de trabalho tinha pouca paciência para o Duarte, por isso acabava por exigir dele algo que lhe era impossivel: comportar-se de forma exemplar – não fazer birras, fazer tudo o que lhe dizia, não fazer asneiras. Ora exigir isto a uma criança nos primeiros anos da sua vida não só é completamente irrealista como também uma enorme fonte de stress para ambas as partes e ainda pode ser altamente prejuducial. Como consequência corremos o risco que a criança cresça a achar que esta sempre errada, que por mais que se esforce é incapaz de agradar os pais. Quando no fundo são os pais que são uns eternos insatisfeitos.

Fui mudando, fui aprendendo, fui crescendo. Hoje em dia sou uma mulher mais pousada, não stresso como antigamente, aprendi a separar verdadeiramente “o trigo do joio” no sentido de perceber aquilo que são limites intransponiveis (bater, dizer palavrões ou ser mal-educado) daquilo que são comportamentos típicos da idade (as birras, as asneiras que resultam da curiosidade e da necessidade de explorar o ambiente).

Aprendi a fomentar o respeito nos meus filhos partindo de mim para eles: respeitando as necessidades, a sua individualidade, o seu desenvolvimento. Dando o exemplo.

Claro que me zango! Claro que as vezes grito (demais)! Claro (!!!) que há limites!!

Mas há certas coisas que não faço. JAMAIS chamo nomes aos meus filhos. Jamais lhes digo coisas como “nunca fazes nada de jeito”. JAMAIS digo aos meus filhos “nào gosto de ti” ou “és feio”. E quando eles me dizem “és má, não gosto de ti”, respondo “as mães às vezes são más. Mas eu gosto muito de ti na mesma”.

Deixei a palmada de lado, preferindo sempre a palavra. Falar com eles, à altura dos olhos deles, explicar porquê não gosto de tal ou tal comportamento. Muitas vezes não chega, confesso. E tenho de aplicar castigos. Mas tento sempre que castigos sejam em função do comportamento, ou seja, penalizar o comportamento e não a criança.

Conceitos como “mindfulness”, “parentalidade consciente” ou “disciplina positiva” vieram abrir-me muitas portas no modo de encarar a maternidade e a educação dos meus filhos. Sou uma mulher mais feliz e vivo a maternidade mais intensamente.

Hoje não sou uma mãe perfeita. Mas sou uma mãe que tenta sempre respeitar os filhos, ter em mente que os filhos são pessoas, com sentimentos, uma personalidade em formação, com valores em desenvolvimento.

E hoje percebo que provavelmente o terceiro é o mais calmo dos três porque apesar de terem a mesma mãe, no fundo os mais velhos também acabaram por ter uma mãe diferente nos primeiros anos.

Há poucos dias, vi uma coisa que a Mickaela Öwen escreveu e que adorei, e que já me foi muito util em várias situações:

“o que faria o amor nesta situação?”
Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe

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