Acuso-me: sou uma mãe que grita!

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Sim, eu acuso-me. Sou uma mãe que grita. Mais do que gostaria, mais do que seria esperado. Mas grito. E o mais engraçado é que constantemente digo aos meus filhos que não se deve gritar. Belo exemplo, hein?

Mas quando todas as estrategiass parecem falhar, quando nos sentimos desarmados e que a situação exige um ponto final, não restam muitas alternativas. O gritar funciona muitas vezes para interromper uma “crise”. Outras, admito, nada mais do que para libertar a minha frustração.

Não sou uma mãe perfeita com filhos perfeitos e exemplares. Sou uma mãe imperfeita, tentando melhorar dia após dia, tentando perceber como posso ser uma pessoa melhor e uma mãe melhor, tenho filhos fantásticos mas que como qualquer criança desafiam limites.

No meio de todas as incertezas da maternidade, uma coisa tenho como certa: quero que os meus filhos sejam educados com amor, mas quero também que percebam que há barreiras que não se podem ultrapassar.

Que saibam que na vida não poderemos sempre fazer ou ter o que queremos. Que percebam que a frustração faz parte, e que é ela que nos ensina a lutar.

Que ter tudo de mão beijada não ensina a dar o mesmo valor ao que se consegue conquistar com o próprio esforço.

Que o respeito por si próprio e pelo outro são valores fundamentais.

E se para isso tiver de lhes dar um grito ou outro, seja!

Lembro-me quando trabalhava na urgência de ver mães pedirem por favor aos filhos para os poderem despir enquanto estes corriam pelo gabinete e se escondiam debaixo da mesa. Os meus filhos sabem que a escolha é “queres despir-te ou queres que a mãe te ajude?” E se por ventura começam a “descambar” nada que um firme “agora chega” num tom um pouco mais alto para acabar com a cena.

Não, os meus filhos não têm medo de mim. Simplesmente quando falo mais alto percebem que estou de facto a falar a sério e já não há margem para brincadeiras. Percebem que o limite foi atingido que não há mais espaço de manobra para testes.

As crianças precisam de amor, mas precisam igualmente de regras e limites. Estes três elementos dão-lhes segurança e estabilidade. Permitem-lhes saber que não andam ao “Deus de ará”. Que se ultrapassarem os limites nós estaremos la para lhos relembrar.

Se gostava de gritar somente e apenas em situações estritamente necessárias? Sim!
Se gostava de conseguir gritar menos (ou nada!) para libertar a minha própria frustração! Claro!

Caminho para isso, mas por agora sou apenas mais uma mãe que grita mais do que devia.

Apesar de tudo tenho filhos que são crianças, que se sujam, que fazem asneiras. Mas que também sabem respeitar os outros, que sabem que na praia não se pode atirar areia para cima das pessoas, que dentro dos restaurantes não se corre, e que “Por favor” e “obrigado” são palavras com muito significado!

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!

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11 Comments
  1. Maria Gabriela Dias 3 meses ago
    Reply

    Eu tb grito, e o meu fedelho não gosta nada, mas depois não repete o disparate, pelo menos tão cedo. Porque depois de gritar, vêm as explicações… seguidas dos mimos. Raramente lhe dou um tabefe. Mas se lho dou sigo o mesmo esquema, explicaçao porque apanhou e mimo. E fica tudo bem. Se há coisa que não faço é abrir muito os olhos, costume da minha mãe que ainda hoje me leva aos arames. (Ainda me dá mais vontade de me portar pior e reagir contra ela…desde sempre. Como gritar ainda mais)

  2. Edna Miriam Alves Lopes 1 ano ago
    Reply

    Está correcto o “Deus de ará”

  3. Aqui também se grita, mais do que gostaria. Mas é mesmo como dizes… se de outra forma não conseguir passar aos meus filhos alguns limites e respeito pelo próximo, então que seja a gritar.
    O certo é que normalmente não falo a gritar por isso quando falo mais alto ou dou um “acabou a brincadeira” num tom acima e com firmeza é o bastante para as pôr em sentido.
    E sim… às vezes o stress e a frustração toma conta dos nervos e gritar é sempre uma forma de os libertar… podia ir tomar um banho de sais calmantes, ou fechar-me no quarto a ouvir uma música zen mas infelizmente não tenho tempo para isso… o grito ainda é o processo de descompressão mais eficaz para mim… contar até mil também resulta mas às vezes já nem contar sei… enfim… a realidade nua e crua da maternidade.

  4. Tânia 1 ano ago
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    Sou mãe dum menino autista.. Com as suas diferenças e necessidades, mas educado no respeito e cidadania.. Adorei o post! Obrigada

  5. carla martins 1 ano ago
    Reply

    Muito bom! Um depoimento real que abrange as emoções duma mãe na “luta” duma educação de bons valores.
    Obrigado pela partilha.

  6. Rute Matos 1 ano ago
    Reply

    Revejo-me em cada palavra!
    Agora com um bebé em casa sinto-me frustrada e stressada por passar tanto tempo em casa em pleno verão e o mais velho acaba por “levar” comigo. Cada vez que lhe dou um grito sinto-me uma péssima mãe por não ter a paciência que devia. Aos poucos isto vai lá…

    • Catia Godinho 1 ano ago
      Reply

      A culpa tira-nos anos de vida, no entanto acho que é inevitavel algum sentimento de culpa nestas situações, comigo acontece o mesmo…
      Já leu o meu texto “uma mãe suficientemente boa”? Talvez lhe seja util nesta fase 😉
      Coragem!!

  7. darkpenguin350 1 ano ago
    Reply

    Bom post. Mas não consigo evitar corrigir que é o “Deus dará”, do género, deixa-te andar, não faças nada que “Deus dará”. Não pode ser, não é verdade? 🙂
    Beijinhos

  8. Iolanda Vaz 1 ano ago
    Reply

    Boas! Se calhar não te lembras de mim, mas fomos colegas no primeiro ano de curso… Ravarinhas portanto!
    Hoje uma amiga minha partilhou este post (através de uma partilha do colégio da filha) e assim vim eu parar aqui!
    Do que estive a ler, identifico-me com muitas coisas que escreves. E sim, eu grito (muitas vezes!).
    Parabéns pela família é muita sorte e felicidades para todos

  9. DianaMar 1 ano ago
    Reply

    Gostei tanto!! É isto mesmo, neste ponto tb sou apenas uma mae que de vez em qd grita

    • Catia Godinho 1 ano ago
      Reply

      Vamos fazendo o nosso caminho, sempre com muito amor e a lutar para que os nossos filhos sejam um dia adultos felizes e responsaveis 🙂

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