Depressão pós parto? Eu estive la!

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Fui identificada por varias amigas para o novo desafio facebookiano. E após ter lido um artigo sobre a polémica gerada por uma mãe que também foi desafiada mas que recusou o desafio por dizer detestar a maternidade e que por sua vez desafiou quem quisesse aceitar a postar a maternidade real ao invés de postar apenas a maternidade perfeita, resolvi então responder ao desafio aqui no blog.

Amo ser mãe, se fosse só eu a decidir sem duvida que ainda pensaria ter mais dois ou três filhos, mas como não sou ainda andamos em “negociações” para eventualmente se pensar em mais um…

Mas de facto esta polémica levou-me a este post que ja estava pensado ha algum tempo: não, a maternidade não são só rosas! Aliás, são muitos muitos espinhos, mas as rosas são tão grandes, bonitas, perfumadas, magnificas e soberbas que compensam em muito todas as vezes que nos picamos com os espinhos.

Mas, de facto, muitas vezes ser mãe não é fácil!

Eu conheci tempos muito dificeis após o nascimento da Eva. Aliás, para mim a passagem do primeiro ao segundo filho foi um horror. Foi assim como um terramoto de magnitude 7.2 na escala de richter…

Desde muito nova que eu sempre estive habituada a gerir tudo, a controlar tudo, a conseguir tudo.

O facto é que a Eva nasceu, e era um bébé dificil! Entre o refluxo e o consequente mau estar que isso lhe causava (regurgitava tanto e em tanta quantidade que chegou mesmo a ser internada por desidratação); o sono – e não é que a Eva dormisse mal, ela simplesmente não dormia! Dormitava às meias horas. Dia e noite. Só queria colo, o MEU colo! E além disso tinha o Duarte, 5 anos, que também precisava de atenção, que era preciso ir levar e buscar a escola, ter o almoço pronto ao meio dia, e ter tempo para estar com ele. E ainda havia a casa, que era preciso arrumar e limpar, cozinhar e tratar da roupa, embora o marido ajudasse era eu quem estava em casa de licença, por isso, na minha cabeça era a mim que competia tratar de tudo.

Por tudo isto, eu que estava habituada a gerir tudo, controlar tudo, e conseguir tudo, passei a não gerir nada, não controlar nada, não conseguir nada! E acreditem que para mim foi um grande estalo! Entrei numa espiral negativa, via tudo negro, considerava-me uma inutil, quando o marido tentava ajudar e fazia alguma coisa em casa eu atacava-o dizendo que ele apenas fazia para me mostrar que eu era uma incapaz. Achava-me uma péssima mãe, péssima esposa, péssima mulher. E quando regressei ao trabalho este estado de espirito manteve-se: zero confiança em mim, medo de ir trabalhar, cada vez que chegava ao serviço uma situação mais grave eu “fugia” para não ter de ser eu a assumir a situação.

As coisas tornaram-se de tal modo complicadas, sem que eu quisesse assumir o que se estava a passar, que foi o marido que pôs um travão e foi comigo procurar ajuda profissional. Fiz 18 meses de terapia. Fortaleci-me, (re)equilibrei-me e percebi finalmente o porquê de ter entrado neste buraco negro:

Porque quando se tem filhos é impossivel ter sempre tudo controlado! Querer ter tudo sob controlo da mesma forma que antes é utópico e perigoso!

É preciso aceitar que já não temos controlo absoluto da nossa vida nem do nosso tempo…

Aceitar que estes seres de palmo e meio passaram a ser os nossos DJ’s e nós precisamos relaxar e aprender a dançar ao som da musica, sendo flexiveis o suficiente para seguir cada mudança de ritmo com a maxima tranquilidade, mas também ter segurança suficiente para poder dizer sem medos que ha estilos musicais que não nos convêm! E não somos piores mães por isso!

Lembro-me de quando estava gravida da Eva ter falado com uma amiga sobre as depressões pós-parto e ela perguntar-me se era algo que me assustava ou de que tinha medo. E lembro de lhe ter respondido com imensa segurança qualquer coisa como “nem pensar!”, afinal como é que alguem que era tão activa e maníaca do controle poderia pensar sequer numa coisa dessas? Pois é, mas aconteceu. E foi uma lição de vida, uma grande aprendizagem!

Este é o lado negro da maternidade do qual pouco se fala. Mas eu estive la. E outras tantas mães também passam por la, algumas não descem tão fundo, outras vão tão fundo que é impossivel imaginar. Mas este é um assunto real. E é importante admitir que as vezes é preciso pedir ajuda!

Hoje, três anos depois posso dizer que amo ser mãe! Adoro ter uma familia grande e “estar em minoria“!

Claro que há dias dificeis, claro que há um “lado lunar“. Claro que às vezes só rezamos para que todos cheguem inteiros ao final do dia. Mas vendo bem, mesmo quem não tem filhos tem dias assim!

E para finalmente responder ao desafio, sim, sou uma mãe de três muito muito orgulhosa! 🙂

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4 Comments
  1. claudiantunesoeiro 2 anos ago
    Reply

    Olá Cátia. Muitos Parabéns pelo teu blog.
    Cheguei aqui por acaso, mas encontrei muitas coisas com as quais me identifico.
    Primeiro também saí de Portugal à procura de um futuro melhor e por último tenho um menino de 8 semanas que parece a descrição que fizeste da Eva.
    Depois de uma gravidez fantástica, sem enjoos, sem sono, sem dores, sem cansaço… Nasceu este menino que eu adoro, mas que precisa da minha presença 24 horas por dia 7 dias por semana.
    Há que ter paciência pois tenho esperança que melhores dias virão!
    Muitas Felicidades…

  2. Adelaide Castanheira 2 anos ago
    Reply

    amo-te daqui ao infinito

  3. Adelaide Castanheira 2 anos ago
    Reply

    Amo-te daqui ao infinito <3

    • Catia Godinho 2 anos ago
      Reply

      E eu a ti ❤

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