A crise de identidade do filho do meio

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Quantos de vocês já ouviram falar no mito do “filho do meio”? Quantos de vocês têm um primo, um amigo ou um conhecido que é filho do meio? Quantos de vocês são o filho do meio em pessoa?

Muitas vezes ouvimos dizer que “ah e tal, os filhos meio são assim uma espécie de aves raras” ou então “o filho do meio tem sempre um parafuso a menos”.
E agora eu pergunto: como não haveria de ter? Então de repente a criança perde o lugar de filho mais novo, onde durante x tempo teve as atenções de amigos e familia viradas para sí, para as suas gracinhas e conquistas, tirando mesmo o lugar principal ao mais velho, que apesar de deixar de ser o centro das atenções será sempre “o mais velho”, o que por sí só já é um lugar de mérito! A criança, actualmente “filho do meio”, de repente além de ver o seu lugar de Benjamim da familia ser ocupado por outro ser de tamanho duvidoso, que pouco mais faz além de comer dormir e chorar, vê-se na ingrata posição de não saber muito bem se agora deverá ser crescido como o mano mais velho, ou pequenino como o mais novo… e como se não bastasse, ainda ouve toda a gente a perguntar coisas como: se ajuda a mãe – “ajudar?? Mas fui eu que me meti nesta alhada por acaso??” – se gosta do bebé – “o quê? Aquele que me veio empurrar para esta espécie de sandwich humana? Tenho mesmo de gostar assim tanto dele??” – ou ainda se está contente – “contente com o quê? Por já não ser o único a usar fraldas?!”… E por outro lado claro que ajuda como pode! É claro que gosta do bebé! É claro que esta contente! E esta ambiguidade de sentimentos – legitima! – só faz a cabeça andar cada vez mais as voltas!

O filho do meio está condenado (pelo menos na sua cabeça) a ficar sempre ali naquela ingrata posição em que as pessoas ora estão ocupadas a ver o mais velho aprender a andar de bicicleta e a felicita-lo por estar tão crescido, ora estão deliciadas com os primeiros sorrisos do mais novo… e assim “o do meio” passa o tempo a fazer um ping-pong intelectual entre o “mas eu já sou grande” e o “mas eu ainda sou pequenino” capaz de deixar o cérebro dos pais mais emaranhado do que um par de fios de fones que passaram 3 semanas numa mala de mulher ou num bolso de casaco.

Além disso, o filho do meio, para não correr o risco de passar demasiado despercebido, tem de pôr em pratica um conjunto de técnicas elaboradas e trabalhosas como “birras” interminaveis, chamadas de atenção constantes, e cenas dignas de um Óscar para melhor actor/actriz dramatico/a!

Tudo isto converge assim uma espécie de “crise de identidade do filho do meio”, na qual todos nós – pais, tios, padrinhos, avós, amigos, etc. – temos o papel de os tentar ajudar a (re)encontrar as suas marcas, e a perceber que continuam a ter um lugar muito importante na familia… o SEU lugar!


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3 Comments
  1. art.anafelix 2 anos ago
    Reply

    a descrição perfeita e o “toque” de responsabilidade suave que faltava 😉
    beijinho enorme! continua assim… vês como consegues tudo!

    • Catia Godinho 2 anos ago
      Reply

      Obrigada querida Ana 🙂

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